sábado, 8 de novembro de 2014




Boas novas!


As instituições são resultado da busca que o ser adota para que suas expectativas de realização e de preservação possam ser plenas. Cada uma delas é importante na medida em que são capazes de afirmar os fins aos quais se destinam.
Entretanto, conforme as instituições tomam corpo, passam a ganhar "vida" por meio daqueles que as representam. Quando ganham essa "dádiva", começam a trilhar caminhos perigosos e imprecisos. São caminhos que confundem as existências. É o momento em que aquele que representa o corpo institucional pode se deixar iludir pela sedutora sensação que se incorpora a potestade que se atribui de maneira simbólica às instituições.
Esse é o túmulo de qualquer instituição, pois é o momento em que o ser passa a acreditar que é aquilo que de fato não é. É o instante em que a mentira toma corpo na vida daqueles que deveriam dignificar as grandes verdades da vida. Por isso é uma espécie lato senso das heresias. Sacrilégio, profanações e indignidades.
A perversidade dessa realidade comum em nossos dias, e em quase todos os setores, está no fato de que quem deveria dar o exemplo maior é justamente quem comete os piores erros contra aquilo que representa. Ora, se o ícone maior que deveria edificar uma causa é o primeiro na lista de inimigos das verdades as quais representa, aqueles que estão sobre a sua égide reproduzirão sem culpas tais erros e, assim, a verdade é sufocada dando lugar a mentira como sendo a implacável verdade naquele setor da vida humana. Toda vez que não estamos muito certos do que acreditamos, tendemos a nos tornar implacáveis, pois queremos, de forma inconsciente, convencer a nós mesmos.
Dessa forma, como acreditar naquilo que tal instituição representa? Seria como uma adesão à ilusão, mesmo sabendo que dali nenhum êxito será logrado.
Estamos vivendo momentos em que não tem sobrado pedra sobre pedra de cada uma das instituições que edificamos ao logo de nossa história. Sinais dos tempos. Sim, um apocalipse nos envolve a cada dia, pondo fim ao mundo que edificamos por todo esse tempo. Não um escrito pelos roteiristas de Hollywood, não o que os fanáticos religiosos pintam de forma medonha para que as pessoas se submetam às suas loucuras. Vivemos um apocalíptico momento em que um novo tempo se descortina diante de nós. As "grandes prostitutas" instituições perdem o poder de encantamento e, por consequência, os seus poderes de sedução.
De hoje em diante, a cada momento, veremos que a fé se sobreporá às religiões; as artes, às mídias; o trabalho, ao emprego; a política, aos partidos; o bem estar social, ao estado; ao amor, ao casamento; e tudo o mais terá suas edificações mortas sendo substituídas pela verdade do que elas representam.
Tudo que está escondido se revelará, porquanto o alto grau de informação ao qual chegamos nos concederam as chaves da verdade e, como amplamente sabemos, a verdade liberta. Portanto, estejamos prontos para exercer essa liberdade, sendo capazes, como essência de vida, de ressuscitar cada uma dessas instituições com seus novos paradigmas.
Que venha o novo para que o ser que nasce em cada um de nós possa viver plenamente o seu tempo! O tempo de verdade.
Ricardo Le Duque
09/08/2014 às 16:28


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Ensaio sobre a eternidade
Eu, mais que um homem de palavra, sou um homem das palavras. Aliás definir essa diferença já seria o suficiente para justificar o tema que pretendo desenvolver pois ser da palavra poder significar uma incapacidade de reflexão sobre aquilo que se disse em um momento impensado e isso não é nada bom. O que por sua vez colocaria a frase em descrédito, coisa que, para quem se auto define como pessoa "de palavra", não seria um boa qualidade.
Sou das palavras porque elas são a mais racional das nossas capacidades de comunicação. Mas levo muito isso muito à sério. Tem um "post", desses do face que achei bem interessante. Dizia assim: Eu penso "A", me leem "B", comentam "C" e espalham "D". Isso é o que há de mais comum entre as pessoas pois parece que as comunicações entre nós desprezam os  fundamentos do entendimento. Parece que as pessoas querem se apropriar das palavras como que elas lhes pertencem, querem dar o seu significado pessoal e aí a coisa se perde.
Um dia eu vi alguém sugerir a um outro amor eterno. Em princípio isso seria algo que se diz a alguém para expressar o quanto se ama, quer superlativizar o sentimento de forma a tornar inquestionável tal sentimento.
Ouvir isso deve ser gostoso. Numa mesa comendo fondue, tomando um bom vinho, ouvindo uma boa música. Pois esse é o momento em que há espaço pra se dizer qualquer coisa que dignifique os sentimentos entre o casal. Entretanto uma frase dessa quando se vive mal uma relação, quando se está separado por problemas sérios de convívio, deve soar diferente da cena anterior.
Dai fiquei pensando como que certas palavras, por serem tão subjetivas como é o caso de eternidade, precisam, digo, merecem um esforça maior que as definam de maneira mais práticas. Embora tenhamos um distanciamento existencial profundo sobre a eternidade, o fato é que essa palavra tem um poder imprescindível para a nossa percepção de mundo. A exemplo dos casais apaixonados, dos homens de fé e dos filósofos, a eternidade merece definição que a torne objeto pratico em nossas vidas mortais. Pois, do contrário, quando um filósofo falar dela em um texto de 500 páginas fará parecer que não vale a pena pensar sobre ela; quando um religioso falar sobre ela parecerá que ele tem um discurso esquizofrênico, ou seja ele fala como um evidente ser mortal de uma imortalidade que ninguém vê mas ele afirma existir. Por fim, quando os apaixonados falam dela como algo que só se diz para se conseguir um beijo especial ou para tentar por fim a alguma coisa muito errada que um dos dois tenha feito com o outro.
Então depois de longa reflexão sobre o impasse tive a ousadia de definir o que parecia indefinível. Para tal parti de um pressuposto básico que é uma pergunta negativa que seria: O que não é eterno?. Não é eterno o que efêmero. Assim efêmero é o que é breve. O que é breve tem curta duração, um início e um fim. Portanto é finito. Logo, não oferecendo nenhuma novidade poderia elaborar um silogismo em que a eternidade é algo perene e, por conseguinte, infinito. Mas ouso me apropriando da essência da palavra, ir além.
Embora haja possibilidade de certa comparação não termino esta palavra nesses termos. Eterno não precisa estar na categoria da infinidade ou em contraponto com o que finito mas pode se combinar. Eterno é aquilo que é para sempre, e se antagoniza daquilo que é passageiro. Ou seja não se limita a passagem de uma instância mas presume a continuidade de percurso por onde quer que se caminhe.
Todavia não é um fim em si mesmo visto que não faz pacto com a finitude, é perene. Assim, quando disser alguém sobre a eternidade não se descomprometa com a realidade da vida finita. Pois pode soar como uma espécie de diminuição da gravidade dos erros presentes pois se tem uma eternidade para se consertar as nossas negligências.
Quando olhamos para o céu, esse que é a mais próxima expressão de eternidade é cheio de exemplos de que a eternidade tem os seus limites. Cada corpo celeste que vemos nele é finito. O céu que vemos agora, nesse instante, jamais se repetirá pois todos os corpos se movem no firmamento. O que impede, em milímetros, que a posição se repita exatamente como se vê e, como estrelas morrem, quando voltarmos no mesmo ponto que estamos agora, isso é, daqui a aproximadamente vinte oito mil anos, não haverá mais em hipótese alguma o mesmo céu que se vê agora. Portanto o máximo que a eternidade pode ser é: "Um conjunto de coisas finitas".
Assim, se você é um filósofo da hora, um religioso da fé inquestionável ou romântico de ocasião, pense bem em tratar com carinho cada uma das finitudes que compõe o seu conceito de eternidade. O outro agradece.
Ricardo Le Duque
18/08/2014

12:29

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Somos todos produtores de eventos I

Somos todos Produtores de eventos.
O mundo de hoje está, cada vez mais, com um grau de individualismo que, volta e meia, vemos coisas tratadas como extremamente normal mas que na verdade é um desvio no que diz respeito a um bom viver.
Eu já estou cansado de fazer uma piadinha que, de tanto fazer, já acho muito sem graça. É assim... quando vou ler um cabeçalho de prova de um aluno e não consigo identificar o nome ou o número tal a estranheza que as letras e números me causam, pergunto de quem é e vem o aluno sem o menor constrangimento me dizendo que aquela é o "M" ou o "7" dele. Aí eu, de bate e pronto, digo em tom de stand up: "mas o "M" não é seu! o "M" é nosso! aha uhu esse "M" é nosso! aha uhu... é... acho que não tem mesmo a menor graça.
Minha luta inglória de dizer ao jovem que as letras, os números, foram feitos para que as pessoas pudessem se comunicar e que pra isso é preciso que eles sejam os mesmos tanto para o emissor quanto para o receptor da mensagem... Aí é que eu fico insuportavelmente chato...
Pois é no meu dia a dia tenho uma estranha mania de buscar a palavra certa pra dizer o que sinto, o que desejo, o que penso. Desde a minha adolescência tive a paixão pelas palavras. Ficava no banheiro horas lendo dicionário tentando conhecer novas que revelassem sentidos que me fizessem pensar, divagar sobre os seus significados.
Isso me foi útil para compor canções, me expressar oral e graficamente. Hoje acordei com uma inquietação sobre como algumas pessoas, aliás muita gente boa, são de determinada maneira contrárias aos seus próprios interesses. E isso é metalinguística da vida. Tem gente que é reativa mas pensa que é ativa. Fica na "fazeção" que é uma beleza mas não dá frutos no que faz. Quando o gás acaba o balão desce como quem é atraído pela gravidade da depressão.
Certa vez eu comentava com uma pessoa bem culta que muitas vezes uma inação é uma atitude. Aquilo soou mal pois a pessoa associava atitude diretamente a expressão da ação. Ora... quem pensa assim facilmente confunde a atitude com uma ação.
Sabe aquelas pessoas que acham que é preciso levantar e sair fazendo as coisas?... pois é! Ela não é, como pensa, ativa. É reativa. Está em reação a alguma coisa. É algo semelhante a agonia de quem se vê diante da morte.
A ação, enquanto atitude, é fruto de pensamento, de avaliação, de ponderação... enfim da razão. Quem confunde isso acaba sendo inconsequente pois não mede suas ações e produz cenários constrangedores e as vezes até trágicos.
Depois ficam reféns de suas contradições pois em suas "fazeções" autossuficientes se encheram de orgulho por se sentirem dignos de serem feitores de suas histórias e depois, com a triste constatação de seus equívocos, acabam envergonhados o suficiente para não assumirem os erros. Morrem secos, mas não dão o Braço a torcer.
Assim é uma pessoa reativa. Há uma palavra que falta no seu vocabulário. "Proatividade" A palavra é nova e até o corretor do word sublinha como errada. Ela nos explica que a atividade que desejamos desempenhar, produzir, precisa de humildade para reconhecer que há pessoas que sabem mais a respeito de algumas coisas que não sabemos. Um sujeito proativo é aquele que reconhece a importância do outro em sua vida, que suas ações precisam ser cuidadosamente avaliadas em relação as consequências que podem produzir.
Sabe aquele tipo que acha feio aqueles que se preocupam com o que os outros vão pensar? Pois é ela é reativa. Ela é capaz de fazer a qualquer coisa que dê na telha só pra provar que não está nem aí pra aqueles que ela supõe ser seus algozes. Afinal de conta esses "outros" são um tipo de gente que reprime, que oprime... Faz sentido não é? Pode ser que você até pense assim: e isso não tá certo? E eu tenho que ficar fazendo as coisas em função das outras pessoas? Pois é. Se você pensou isso você foi reativo e não se deu conta. Em momento algum eu disse que as pessoas devem fazer o que as outras a impõe. O que disse foi apenas que nossas ações produzem reações e isso nos torna responsáveis pelo que produzimos de efeitos nos outros. Isso não lhe parece razoável?
A vida é uma sucessão de produção de eventos e a todos aqueles que você for o único envolvido você pode fazer qualquer coisa sem nenhum pudor e seja feliz por isso. Mas se suas ações envolverem um outro alguém, um grupo de pessoas, uma comunidade, um povo, uma nação... aí meu amigo, sinto muito mas você deverá ter a maturidade de ponderar pois a sua responsabilidade diante do produzido no outro é muito grande.
Se você lembrou do início do texto deve estar se perguntando o que isso que digo tem a ver com as letras e os números que o aluno escreve e não dá pra entender. Se você se perguntou isso ou coisa parecida. Parabéns você é proativo. Tenta entender as coisas pelo todo e não pelas partes.
O grau de egoísmo que vivemos faz com que as pessoas ignorem os códigos que unem as pessoas. Fazem as coisas como se fossem sozinhas, ignoram os outros. Vivem num grau de egoísmo infantil que agem como crianças inconsequentes. Ficar com Zero na prova por não ser identificado a coloca como vítima de uma injustiça que simplesmente não existe. Ela sempre tem um... "ah o que é que custa?" como se o mundo estivesse a sua disposição. Não, não está. Então pense bem antes de uma briga feia com alguém que você diz amar quando isso antecede ao natal, a um aniversário, a uma data importante pra vocês. Não pensar nisso é ignorar a dor do outro e achar que só você sente dor.
Antes de postar uma foto da crueldade com que os israelenses tratam os palestinos se pergunte se você não foi também foi capaz de lançar os seus "mísseis" para tentar mostrar quem é que manda numa relação. Pode ser que não haja ONU que consiga retomar a paz.
Ricardo Le Duque
02 de Agosto de 2014
00:30

Somos todos produtores de eventos II

Somos todos produtores de eventos II

Esta semana postei um texto que fiz mediante a uma inquietação. Daquelas que a gente já acorda querendo escrever. Esse de hoje, na verdade é uma continuação pois o outro não disse tudo sobre essa inquietação. Já estava extenso demais e eu resolvi parar pra digerir um pouco mais sobre o tema.
O que faltou dizer é que ainda sobre a nossa condição de produtores de eventos em nossas vidas há duas palavras que se confundem nesta seara: Cicatriz e marca.
Sempre falo aos meus alunos que estão se formando no ensino médio a importância de se levar a sério a cerimônia de formatura. digo-lhes, quando eles começam a desdenhar e acharem que o melhor seria fazerem um churrasco na casa de alguém, num sítio ou coisa e tal..., que todos nós precisamos de rituais de passagem para determinados momentos de nossas vidas. Eles são capazes de estabelecer marcos que facilitam didaticamente divisores de águas ao longo de nossa jornada.
Há quem se pergunte: "Mas pra quê isso? bobagem!" Sou taxativo! Não, não é uma bobagem. Esse marco nos permite saber onde estávamos em tal época, fazendo o que, com quem. Podem acreditar isso é necessário.
A informática, em sua dinâmica tecnológica e evolutiva, nos permitiu projetar nas máquinas aquilo que somos de forma virtual. Um computador é melhor que outro tanto quanto for capaz de possuir maior memória. A memória permite, são só o espaço físico para a alocação de informação mas também um outro aspecto que é a velocidade de processamento. Assim, tempo e espaço se revelam virtualmente eficientes na vida útil do computador. Nos sistemas operacionais, o que dá vida à máquina, há uma ferramenta chamada restauração de sistema. Ela está ali para que o usuário, quando sentir que o computador está funcionando mal, devido a influência de aplicativos, possa voltar a um determinado momento em que ele funcionava bem. De lá pra cá ele dá uma retirada de tudo que entrou na máquina e que, por algum motivo mudou a configuração adequada e o levou ao mal funcionamento. Ele só não apaga os nossos arquivos pessoais, ou seja, o que foi de nossa espontânea vontade fica. Só apaga o que se instalou alheia a nossa percepção e querer.
Por isso é importante ter uma marca de tempo em tempo para que se possa restaurar o que funcionava bem.
Pois é. Na vida não é diferente. Precisamos de chá de panela, chá de bebê, batizado, festa de 15 anos, baile de debutantes, de formaturas, de cerimônia de casamento, divórcio, de funerais... Esses momentos dão a marca que precisamos para retomarmos momentos de outras configurações pela nossa lembrança. O que fomos é muito importante para entendermos no que nos tornamos e no que pretendemos ser. Assim podemos compreender a diferença entre cicatrizes e marcas.
A primeira palavra, ainda que não precise ser vista com valor pejorativo, é expressão de acidente de percurso ou de força da natureza em nossas vidas. Podemos torná-las marcas se quisermos. A marca é algo que denota um objetivo racional e formal em nossas vidas. Uma Cicatriz pode se tornar uma marca. Podemos fazer dela uma espécie de tatuagem que a vida escreveu em nosso corpo ou em nossa alma. Mas pode ficar apenas na categoria de acidente de percurso se a rejeitarmos. De maneira tal que cicatrizes podem ser marcas mas nunca aquilo que entendemos como marca será uma cicatriz. A marca é um Marco. É fruto de nossa vontade, desejos e interesses. É fruto de nossa razão. Nos definimos por meio dela. Aquilo que se expressa num corpo físico ou afetivo vai ficar em nossas vidas queiramos ou não. Nossos espelhos nos revelarão. Sejam eles aqueles que são lâminas de vidro com mercúrio ou as pessoas que se manifestam em nossas vidas. Cabe a nós a capacidade a auto compreensão. E pra isso precisaremos dar significado àquilo que deixa em nós marcas indeléveis. Ainda que cicatrizes podemos torna-las marcas de nossas experiências como uma ruga, uma estria de gravidez, uma pel bronzeada curtida... O segredo para isso está em nos percebermos como protagonistas de nossas histórias atores em nossos espaços. Para isso devemos nos assumir como os Produtores dos nossos eventos. Ainda que para isso precisemos contratar profissionais do ramo. Sejam eles cirurgiões plásticos, psiquiatras, psicólogos, advogados, mestres de cerimônias ou simplesmente eles: Os nossos cada vez mais comum em nossas vidas, produtores de eventos. rsrsrsrsrs melhor que seja assim. Vamos fazer festas! Vamos celebrar a vida!
Ricardo Le Duque
03/08/2014
16:15
Foto Jade Beall

segunda-feira, 15 de julho de 2013



A maluca e o covarde
                Nesses dias assisti , sei lá, pela quarta vez,  um filme que já utilizei em minhas aulas de filosofia e de sociologia. chama-se Hancock. é um daqueles filmes de super-herói só que, diferente dos outros mais comuns, o protagonista, interpretado pelo Will Smith, é uma espécie de anti herói.
                Poderia aqui falar das estratégias pedagógicas que usei pra tornar essa película popular em um valioso instrumento didático para minhas aulas, mas não! Não é isso que pretendo. Ao assistir este filme de sucesso, modesto, eu me recordei de um bordão que é um espécie de start para que todos os poderes fenomenais de heróis que são, fossem liberados. é disso que gostaria de falar.
                Pra quem não assistiu ao filme cabe uma explicação. Hancock é um cara que não recorda porque tem todos aqueles dons e só descobre quando, "por acaso", se depara com a sua milenar companheira. Mulher que sempre amou mas que, por uma explicação profundamente simbólica , quando estão juntos vão perdendo os poderes de semi deuses até que se transformam em mortais. É uma terrível metáfora sobre as características dolorosas, que tanto nos atemorizam, e sofríveis do amor, do grande, derradeiro e implacável amor.
                 Mas voltando à explicação do bordão, quando alguém chama nosso Herói de covarde... ah!... ele vira bicho. E com um tom que nos remete às nossas infâncias "faroestiânicas" ou "shaolílicas" quando algum menino que gostaria de testar a sua masculinidade, provocava: "ih alá!... covarde..." Isso soava como: ou você parte pra porrada ou então assumia sua incapacidade de expressar classicamente seus dotes de homem. (rs ... era desse jeito) mas a coisa nova para mim no filme era que havia uma correspondência feminina para tal start. quando nossa Heroína era chamada de maluca... ah... "a porca torcia o rabo!". Essa era uma deixa pra que ela liberasse todo o seu poder contra o homem que mais amava.
                achei esse detalhe, que soa mais como um bordão engraçado, a coisa mais significativa do filme. Pensei cá comigo (...) e não é que é verdade?! Nós, homens, quanto mais desejamos provar que somos machos alfas, mais nos lançamos nas aventuras perigosas das bravatas corajosas diante  de nossos opositores. No fundo, lá no fundo nós somos um montão de covardes tentando nos vencer nesse medo de nos prostrar à condição de nossas fraquezas humanas. Para entrar no hall divino, onde poderíamos ser aceitos, ou escolhidos, acreditamos que em primeiríssimo lugar temos de ter coragem.
                E a mulher? (...?...) Cresci acreditando no conceito moderno de igualdade e acabei me adestrando a amortizar as diferenças entre homens e mulheres. Isso me levou a equívocos risíveis como a infantil ideia de que nós homens só seríamos bons amantes se na hora da cama ficássemos a disposição de seus gozos pra que só depois víssemos o "nosso lado" aos poucos, no encaixe da vida íntima pude me deparar com o "gozo" maior de uma mulher que se delicia ao ver seu homem se lambuzar frenético sem técnicas kamasútricas. apenas um homem feliz por ter uma fêmea que o satisfaz ah como é bom ver os olhinhos superiores de uma mulher, brilharem por verem que o seu macho não conseguiu se controlar diante de tanta gostosura que ela representa. As vezes digo que saí do armário depois de ter experimentado tal assunção da minha condição masculina.
                Véi! Vai entender mulher! É mesmo difícil! Acho que agora entendo o que me levou a me sentir tão atraído pela psiquiatria e pela psicologia. No fundo acho que isso era parte de minha profunda vontade de entender as mulheres. Epa! "Eureka!" É o que me ocorreu quando vi que a correspondência do bordão usado por Hancock que era: " me chama de novo de covarde" e na sua mulher era: "me chama de novo de maluca". Pronto! Lançara-se sobre mim uma luz acerca do que seriam as mulheres. Recorri logo a uma das ptonisas mais importantes na tradução da alma feminina que é a Martha Medeiros, adoro lê-la pois que tal fato me permite ler melhor as mulheres. E estava lá nas palavras da minha guru "Toda mulher é doida" Esta num status do facebook da Martinha. Me lembrei de uma outra tradutora credenciada pela alma feminina que é a Grande e maravilhosa compositora Fátima Guedes. Ela tem uma novíssima e maravilhosa canção que tive a honra de ouvir de sua própria boca " Toda mulher é maluca".
                 Aliviei as tensões de pobre homem em busca dos potes de ouro além do arco-íris e aceitei a minha simples condição humana. Sou apenas um homem, com medos, dúvidas e incertezas, Pronto pra tentar impressionar as mulheres como um cavaleiro com sua espada contra os dragões e agora sim mais confiante por saber o que sou ao me deparar com o que vocês, mulheres são. Vocês são... lindas... vocês são gostosas... são... meigas... são...
                É... (...) acho que não tenho coragem de dizer!

Ricardo Le Duque


15/07/2013 as  15:05

domingo, 7 de julho de 2013

Desertos - Ricardo Le Duque, Nando Pina e Paulo Razek

Canta Mari Mari Tiscate

Álbum Canto Camaleônico - 2013


domingo, 5 de maio de 2013

Perdão
O perdão é o mais poderoso remédio para as dores da alma e do coração. Perdoar é algo intransferível. Não abra mão dele com aquela tradicional frase: "Quem perdoa é Deus". Tá aí um legado espiritual em nossas vidas materiais. Realmente o perdão é para os fortes, embora não seja uma condição de admissão para um credenciamento divino. Perdão é posse que se tem em terras de paz. É mais gostoso dar do que receber. Aliás quem precisa de perdão sente-se muito mais em débito que em crédito. Embora só busque perdão aqueles que acreditam fazer por merecê-lo, há também nos corações arrependidos a ideia de que é preciso um despojamento maior para pedir perdão do que para perdoar. Por isso acreditam que têm uma chance de recebê-lo. Portanto, perdoem. Perdoem sem medo! Não há o que temer no perdão. Não se trata de perdoar para endireitar ninguém. Ninguém endireita ninguém com perdão. Perdoamos para nos livrarmos do peso do ressentimento que tanto nos afoga em mágoas. Perdoar é como vir à superfície de nossa vida ganhar fôlego para uma nova apneia em nossos mergulhos profundos nos mares do amor. Quem é perdoado tem sobre si os seus próprios desígnios. Há dois tipos de perdoados: o que se agarra ao perdão como quem merece a vida, e o que se agarra à vida como quem merece perdão. A vida vem do pó da terra e é suscetível às leis da vida. Sucumbe às forças da vida e, por isso quem se agarra a ela a perderá, condenada pela lei da gravidade. Afundará em direção ao vale da morte, posto que vida pela vida é caminho da morte. O perdão é algo elevado. Está além das leis da natureza e da vida mortal. Quem se agarra ao perdão como quem merece a vida recebe vida. Não a vida orgânica, aquela que perecerá um dia pelas leis da natureza, mas a vida eterna. Eterno é aquilo que dura pra sempre com a esperança que nos acompanha até nosso momento derradeiro. A vida que se recebe pelo nosso abraço ao perdão recebido e leve como uma pena. Isso mesmo! Pena é aquilo que recebemos quando julgados e condenados pelos nossos erros. É a nossa sentença. Receber perdão vai muito além do cumprimento da pena. É a profunda conscientização e arrependimento dos nossos erros. Aquele que for capar de abraçar o próprio perdão não terá como fardo as suas penitências, sejam lá quais forem, pois, livres do erro, perdoados por uma justiça além da justiça dos homens, receberá um pena como as que permitem a liberdade dos pássaros. Aqueles recebem o firmamento como lugar de viver. Assim serão capazes de voar sobre a gravidade dos problemas e pairar no céu como as nuvens que prenunciam a mudança do tempo. Podem viver suas tempestades, podem sofrer com os ventos frios que antecedem a chuva, mas poderão contar com a certeza de que verão o sol brilhar novamente. O sol que nos oferece a luz, o calor e a vida depois dos temporais. Ricardo Le Duque 04-05´2013 as 16:30